Mundo
Espanha estima que 49.000 migrantes tenham entrado em Ceuta em 24 horas
Cerca de 49.000 migrantes entraram no enclave de Ceuta em apenas 24 horas, tendo-se deslocado por mar e por terra a partir de Marrocos. O número de vítimas mortais subiu para 24. Pedro Sánchez avançou que o Governo espanhol está a acelerar o repatriamento dos marroquinos.
(em atualização)
A estimativa avançada esta sexta-feira pelo Ministério do Interior de Espanha ultrapassa largamente o número registado na anterior crise migratória em Ceuta, em maio de 2021, quando se calculou que mais de 10.000 migrantes teriam contornado os controlos fronteiriços.
O número de entradas agora estimado representa praticamente um aumento de cerca de 50 por cento na população do enclave, onde estão recenseadas 83.600 pessoas.
O número de entradas agora estimado representa praticamente um aumento de cerca de 50 por cento na população do enclave, onde estão recenseadas 83.600 pessoas.
Em conferência de imprensa em Ceuta esta sexta-feira, o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, afirmou que o que aconteceu ontem em Ceuta foi "um ataque, uma violação da integridade territorial de Espanha".
"Estamos a acelerar o repatriamento dos migrantes que entraram em Ceuta de forma irregular desde ontem", avançou.
"Estamos a acelerar o repatriamento dos migrantes que entraram em Ceuta de forma irregular desde ontem", avançou.
"O Governo de Espanha está do lado de Ceuta. E compreendemos a emoção e a angústia que têm vivido nas últimas horas, em particular desde hoje", declarou o primeiro-ministro.
O líder espanhol afirmou ainda que a crise migratória em curso em Ceuta está relacionada com uma interpretação desonesta "por parte das máfias" de uma recente decisão judicial que se pronuncia sobre a repatriação dos migrantes que chegam por mar.
"O que se depreende das conversações que mantivemos com as autoridades marroquinas é uma interpretação tendenciosa que as máfias de traficantes de seres humanos fizeram de um acórdão do Supremo Tribunal" espanhol, explicou.
De acordo com esse acórdão, "não é possível repatriar para a fronteira as pessoas que tenham chegado a Espanha por via marítima", explicou Pedro Sánchez, acrescentando que "essa interpretação" se tinha "espalhado como fogo nas últimas horas".
"O que se depreende das conversações que mantivemos com as autoridades marroquinas é uma interpretação tendenciosa que as máfias de traficantes de seres humanos fizeram de um acórdão do Supremo Tribunal" espanhol, explicou.
De acordo com esse acórdão, "não é possível repatriar para a fronteira as pessoas que tenham chegado a Espanha por via marítima", explicou Pedro Sánchez, acrescentando que "essa interpretação" se tinha "espalhado como fogo nas últimas horas".
Migrantes começam a regressar a Marrocos
Entretanto, o número de migrantes mortos ao tentarem entrar a nado no enclave subiu para 24.
Entretanto, o número de migrantes mortos ao tentarem entrar a nado no enclave subiu para 24.
Os migrantes avançaram para a fronteira desde o lado de Marrocos a nado, a pé ou saltando a vedação que existe entre os dois territórios. O dispositivo policial nos dois lados da fronteira não conseguiu travar a avalanche de pessoas.
Esta manhã continuavam a cruzar a fronteira "numerosas pessoas", segundo a agência Europa Press, e as ruas da cidade de Ceuta "amanheceram com centenas de jovens migrantes a dormir nas ruas enquanto continua a chegada irregular desde Marrocos", descreveu o jornal El País.
Esta manhã continuavam a cruzar a fronteira "numerosas pessoas", segundo a agência Europa Press, e as ruas da cidade de Ceuta "amanheceram com centenas de jovens migrantes a dormir nas ruas enquanto continua a chegada irregular desde Marrocos", descreveu o jornal El País.
Centenas de migrantes que nas últimas horas chegaram a Ceuta começaram, entretanto, a seguir as indicações dos militares e a regressar a Marrocos.
"Milhares de marroquinos regressam ao seu país. A massa mudou de direção. Agora são milhares os que se avistam na praia marroquina a caminho da sua terra, enquanto os últimos que pretendiam entrar em Espanha estão a fazê-lo entre gritos, por água. São infinitamente mais os que saem do que os que entram agora. A situação parece normalizar-se na fronteira", escreveu o jornal El País.
França reforça fronteira
O ministro francês do Interior, Laurent Nuñez, indicou que iria voltar a reunir-se com o seu homólogo espanhol esta sexta-feira e que previa um reforço dos controlos na fronteira.
"Já ontem (quinta-feira) à noite dei instruções para reforçar sem demora os controlos na fronteira espanhola", escreveu na rede social X. "Temos um controlo na fronteira franco-espanhola. Ele existe e, aliás, foi reforçado nos últimos meses".
"Temos uma força móvel presente permanentemente. É óbvio que tomaremos medidas se houver movimentos em direção ao território nacional. Em todo o caso, reforçaremos, evidentemente, o controlo na fronteira", prosseguiu.
O ministro francês do Interior, Laurent Nuñez, indicou que iria voltar a reunir-se com o seu homólogo espanhol esta sexta-feira e que previa um reforço dos controlos na fronteira.
"Já ontem (quinta-feira) à noite dei instruções para reforçar sem demora os controlos na fronteira espanhola", escreveu na rede social X. "Temos um controlo na fronteira franco-espanhola. Ele existe e, aliás, foi reforçado nos últimos meses".
"Temos uma força móvel presente permanentemente. É óbvio que tomaremos medidas se houver movimentos em direção ao território nacional. Em todo o caso, reforçaremos, evidentemente, o controlo na fronteira", prosseguiu.
Itália ameaçou, por sua vez, suspender o regime de fronteiras abertas internas da União Europeia.
"Estamos a reunir as autoridades competentes e, após estas reuniões, estamos preparados para agir, inclusive através de medidas excecionais", tais como "a suspensão do acordo de Schengen com Espanha", anunciou a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni.
"Estamos a reunir as autoridades competentes e, após estas reuniões, estamos preparados para agir, inclusive através de medidas excecionais", tais como "a suspensão do acordo de Schengen com Espanha", anunciou a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni.
c/ agências